quarta-feira, 28 de maio de 2008

vem pierrot de sonho
enche o meu peito de saudade
que não vai me deixar um dia
pois sou já maria
e não colombina

não sei sambar nessa sinfonia
só sei do teu amor
que virou minha
poesia.

terça-feira, 13 de maio de 2008

segunda-feira, 12 de maio de 2008

sábado, 19 de abril de 2008

O sambista da Boemia
Enrolado em serpentina
Entoa um verso amargo
Para a cruel Colombina


Colombina, Colombina
Pierrot já não volta mais?
Vai virar Arlequim e te deixar pra trás?
Que o carnaval não se goza ainda e sempre
Nesses teus braços tais?


Colombina, Colombina
Tua carne chora pelo amor traído
Vais aprender a sambar
No ritmo de um coração ferido?

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Tríade

O teu veneno sereno e louco
Corre pelo meu corpo feito vinho
Vibra como flor num jardim proibido
Me traz o sabor entorpecente do lirismo
O teu amor de Pierrot
Guarda o perfume dos delírios

Dos teus lábios voluptuosos de Arlequim
Eu faço um samba orvalhado de absinto
Deixo-te ferver numa orgia de versos
Me perdendo na febre de teus beijos cor de carmim

Com minha língua serpenteando lascívias
Eu faço meu carnaval de Colombina
Pelo veludo da tua pele
Pólvora da minha poesia

Pelos teus olhos de Sonho
Se desfaz todo o meu sentido
Resta-me um Desejo enternecido
Transmutado em verve e boemia

Tua poção faz morada em meu sangue
Me seduzindo tal néctar demoníaco
Vou te trazer um novo acorde
Um dó maior mais doce ainda
Que embriague como sinfonia
Ecoando em teus ouvidos
Crescendo em mim como um poema-filho
Para que o nosso samba nunca se finde.


Anna Apolinário

quinta-feira, 3 de abril de 2008

"Máscaras" : Menotti Del Picchia

COLOMBINA, vendo Pierrot:

Tu? Que fazes aqui?


PIERROT:

Espero-te, divina...A sorte de um Pierrot é esperar Colombina!

COLOMBINA:

Pela terra florida, olhos cheios de pranto, eu procurei-te muito...

PIERROT :

E eu esperei-te tanto!

COLOMBINA:

Onde estavas, Pierrot? Entre as balsas amigas, tendo no peito um sonho e no lábio cantigas, dizia a cada flor: “Mimosa flor, não viste um Pierrot muito branco...”

PIERROT:

Um Pierrot muito triste...


COLOMBINA:

E respondia a flor: “Sei lá... Nestas campinas passam tantos Pierrots atrás de Colombinas...” E eu seguia e indagava: “Ó regato risonho: não viste, por acaso, o Pierrot do meu sonho? “ E o regato correndo e cantando, dizia: “Corro e canto e não vejo” - e cantava e corria... Nos céus, ergendo o olhar, eu via, esguio e doente, o pálido Pierrot recurvo do crescente... Assim te procurei, entre as balsas amigas, tendo no peito um sonho e no lábio cantigas, só porque, meu amor, uma noite, num banco, eu encontrara olhar de um triste Pierrot branco.

PIERROT:

Não! Não era um olhar! Ardia nessa chama toda a angústia interior do meu peito que te ama Nosso corpo é tal qual uma torre fechada onde sonha , em seu bojo, uma alma encarcerada. Mas se o corpo é essa torre em carne e sangue erguida, O olhar é uma janela aberta para a vida, e, na noite de cisma, enevoada e calma, na janela do olhar se debruça nossa alma

COLOMBINA, languidamente abraçada a Pierrot:

Olha-me assim, Pierrot... Nada mais belo existe que um Pierrot muito branco e um olhar muito triste... Os teus olhos, Pierrot, são lindos como um verso. Minh’alma é uma criança, e teus olhos um berço com cadências de vaga e, à luz do teu olhar, tenho ânsias de dormir, para poder sonhar! Olha-me assim, Pierrot... Os teus olhos dardejam! São dois lábios de luz que as pupilas me beijam... São dois lagos azuis à luz clara do luar... São dois raios de sol prestes a agonizar... Olha-me assim Pierrot... Goza a felicidade de poluir com esse olhar a minha mocidade aberta para ti como uma grande flor, meu amor...meu amor...meu amor...


PIERROT :

Meu amor!

Colombina e Pierrot abraçam-se ternamente. Há, como um cicio de beijos, entre os canteiros dos lírios. Arlequim, vendo-os, sai da treva e, com voz firme, chama.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Néctar

O teu amor me embriagou
como um samba antigo que ecoa
No compasso dos nossos corpos
entrelaçados numa mesma lisergia
de versos paixões & enigmas

Deixa-me suspirar entorpecida um gozo
como uma flor de cor escarlate perdida
No jardim da tua carne perfumada
Pierrot de Süskind em um encanto pervertido

Bandida serpente do Eden esquecido
solfejou um ardente soneto
Libido paranóica
no outono da minha noite entediada

Anna Apolinário
Esaú Almeida