O teu veneno sereno e louco
Corre pelo meu corpo feito vinho
Vibra como flor num jardim proibido
Me traz o sabor entorpecente do lirismo
O teu amor de Pierrot
Guarda o perfume dos delírios
Dos teus lábios voluptuosos de Arlequim
Eu faço um samba orvalhado de absinto
Deixo-te ferver numa orgia de versos
Me perdendo na febre de teus beijos cor de carmim
Com minha língua serpenteando lascívias
Eu faço meu carnaval de Colombina
Pelo veludo da tua pele
Pólvora da minha poesia
Pelos teus olhos de Sonho
Se desfaz todo o meu sentido
Resta-me um Desejo enternecido
Transmutado em verve e boemia
Tua poção faz morada em meu sangue
Me seduzindo tal néctar demoníaco
Vou te trazer um novo acorde
Um dó maior mais doce ainda
Que embriague como sinfonia
Ecoando em teus ouvidos
Crescendo em mim como um poema-filho
Para que o nosso samba nunca se finde.
Anna Apolinário
segunda-feira, 7 de abril de 2008
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